Em breve fará 20 anos que exerço a profissão de psicólogo. De início eu atendia apenas presencialmente. Desde 2019 eu migrei para atendimentos exclusivamente online. Em todo esse tempo eu já perdi a conta de quantas vezes a primeira pergunta de uma sessão não foi sobre ansiedade, trabalho ou relacionamento, mas sim: “Golbery? Que nome é esse?”. Como atendo brasileiros que moram fora do país e profissionais de tecnologia espalhados pelo Brasil e pelo mundo, essa pergunta atravessa fronteiras. Eu já conversei sobre isso em português, em inglês e até em esperanto (essa história está mais abaixo).
Na minha página de apresentação profissional eu não tinha espaço para contar essa história com calma. Então decidi escrever este artigo só para isso: matar a curiosidade de quem vai me conhecer ou das pessoas que atendo ou já atendi que nunca me perguntaram sobre isso.
Eu não sou o único Golbery
Antes de mais nada: existe um site do IBGE chamado Nomes do Brasil, onde você descobre quantas pessoas no Brasil têm um determinado nome. Fui lá, pesquisei, e descobri que existem outras 37 pessoas com meu nome no país inteiro. Então, sim, eu não sou o único, só sou bem raro. Eu mesmo nunca conheci outro Golbery!
Recomendo você fazer o mesmo teste com o seu nome e o de quem você conhece. É um exercício curioso, principalmente se você, como boa parte das pessoas que atendo, já recebeu aquele comentário de “nunca vi ninguém com esse nome”. No site do IBGE você também vê nomes que estão ficando mais comuns e aqueles que estão ficando mais raros com o passar do tempo.
Antes de explicar a origem do meu nome, vale contar a dos meus pais, porque a lógica só fecha quando você entende o contexto. Meu pai se chama José que é o segundo nome mais comum do Brasil segundo o IBGE. Ele só perde para um nome, o de minha mãe que se chama Maria e é o nome mais comum do país. Sendo filho de um José com uma Maria, era natural que eu não tivesse um nome tão comum, não é?
Você sabia que existe um site do IBGE onde você descobre a quantidade de pessoas com seu nome no Brasi? Ele se chama Nomes do Brasil (Clique Aqui) e, através dele, eu descobri que há outras 37 pessoas com meu nome. Então, desde já, eu não sou o único. Vamos partir deste ponto.
Tomando isso como base, antes de falar do meu nome, é importante que eu fale do nome duas outras pessoas: meu pai e minha mãe. Eu imagino que, ao clicar no link, você irá procurar o seu nome, o de todos os seus familiares e amigos. Eu também fiz isso e tive uma descoberta. Meu pai tem o segundo nome mais popular do Brasil: José. Este nome só perde para um nome, o da minha mãe: Maria. Sendo filho de um casal com os dois nomes mais populares do país, eu não poderia ter um nome comum, não é?
Golbery: um nome que começa com “G” e tem 7 letras
O nome da minha mãe é Maria Gláucia. “Gláucia” começa com “G” e tem sete letras, e ela decidiu que os nomes dos filhos deveriam seguir esse padrão. O primeiro filho, meu irmão, ficou com “Giovany”. Na minha vez, ela ficou sem ideias e chegou a pensar em “Gregory”, mas uma tia já tinha reservado esse nome para um primo (no fim, a tia desistiu, mas era tarde demais). Foi então que, na televisão, apareceu o nome de um homem chamado Golbery do Couto e Silva. Começava com “G”, tinha sete letras, e resolveu o problema.

O general Golbery do Couto e Silva foi chefe da Casa Civil nos governos Geisel e Figueiredo, durante o regime militar brasileiro. Preciso deixar bem claro: não tenho qualquer afinidade com esse período da história do Brasil e foi pura coincidência de nome aparecendo na TV no momento certo. Sobre a origem do nome em si, sei pouco: ele aparece com alguma frequência na região da França, mas a etimologia exata se perde.
Capistrano: santo ou uma cabeça estranha?

A explicação mais aceita para o meu sobrenome tem origem religiosa. Um antepassado meu, filho de uma família muito religiosa, recebeu o nome João Capistrano em homenagem ao santo italiano João de Capistrano. O sobrenome foi passando de geração em geração até chegar a mim.
Mas existe uma segunda explicação, bem mais divertida, que ouvi durante uma conversa em esperanto com um italiano. Segundo ele, “Capistrano” pode ser dividido em três partes para revelar seu significado:
CAP + I + STRANO
Em latim, “cap” remete à ideia de cabeça, a mesma raiz que aparece em “capacete”. O “i” é só uma vogal de ligação entre os dois blocos. E “strano” significa “estranho”. Juntando tudo: meu sobrenome pode ser lido como “cabeça estranha” o que, convenhamos, é uma boa piada do destino para alguém que escolheu a psicologia como profissão.
Por que isso importa para quem busca terapia online
Se você chegou até aqui pesquisando sobre meu nome antes de uma primeira sessão, ou se já é uma pessoa que atendo e nunca teve a chance de perguntar, espero que esse artigo tenha resolvido a curiosidade. Atendo de forma 100% remota brasileiros que vivem no Brasil e fora dele, com atenção especial a quem trabalha em tecnologia ou pessoas que também trabalham em regime remoto. É interessante saber quem está do outro lado da tela antes de marcar a primeira conversa.
Se a curiosidade foi satisfeita e você quer dar o próximo passo, você pode agendar sua primeira sessão aqui. Atendo adultos, em todo o Brasil e no exterior, 100% online.


